O Profeta Diário
Edição especial · Bastidores
Como “muggle” virou “trouxa”: a arte de traduzir magia
Por Redação do Arquivo
Os sete livros de Harry Potter chegaram ao Brasil pela Editora Rocco, com tradução de Lia Wyler. A tarefa era enorme: a autora inventava palavras, trocadilhos e nomes que carregavam significados escondidos, e tudo isso precisava continuar funcionando em português.
O exemplo mais famoso é “trouxa”, escolhido para muggle. A palavra já existia no português do dia a dia como sinônimo de pessoa ingênua, o que dava ao termo o mesmo tom levemente debochado do original. Hoje, “trouxa” virou parte do vocabulário de qualquer fã brasileiro.
As casas de Hogwarts também ganharam nomes próprios. Grifinória, Sonserina, Corvinal e Lufa-Lufa preservam a sonoridade e as pistas dos originais: o grifo, a serpente, o corvo, o jeito atrapalhado e simpático dos texugos. Personagens como Pirraça, Murta-Que-Geme, Bichento e Perebas seguem a mesma lógica: o nome já conta um pouco de quem eles são.
Os apelidos dos marotos (Aluado, Rabicho, Almofadinhas e Pontas) são outro achado. Cada um aponta discretamente para a forma animaga ou a condição de seu dono, exatamente como no inglês.
Nem tudo foi traduzido: Hogwarts, Hogsmeade, a maioria dos sobrenomes e os encantamentos em latim macarrônico permaneceram como estavam, já que funcionam em qualquer idioma. O resultado é uma versão brasileira com personalidade própria, e que formou uma geração inteira de leitores.